O I Encontro Literário de Leitura em Voz Alta “Ler com Amor” realiza-se nos dias 26 e 27 de abril de 2013, na Biblioteca Pública Regional. O evento integra o projeto “Ler com Amor”, dinamizado em parceria com a Direção Regional da Educação da Região Autónoma da Madeira, que visa dinamizar atividades de leitura em voz alta, expressiva, dramatizada e performativa no contexto de sala de aula com vários professores de escolas da RAM. Para além do ciclo de conferências, são apresentados dois espetáculos de leitura em voz alta, com entrada livre, no Teatro Municipal Baltazar Dias.
Nasceu no Funchal em 1938. Frequentou a antiga Academia de Música e Belas Artes da Madeira.
Em 1068 licenciou-se em pintura pela escola Superior de Belas Artes de Lisboa.
No entanto, a atividade profissional que seguiu foi a rádio – o Posto Emissor do funchal, para o qual realizou vários programas e até teatro radiofónico. De então para cá, dedicou-se essencialmente à pedagogia e a diversas áreas artístico-culturais, tendo já disponível uma variada bibliografia. Realce para os seus livros «A mão que amansa os frutos» 1991, «Estrada de um dia só», «Protesto e canto de Atena» e «Água de Mel e Manacá», estes dois últimos de 2002, no domínio da literatura.
’’Chamei-lhe Voz’’ – A voz adquire com a música diferentes amplitudes que acentuam os sentimentos.
Irene Lucília Andrade nasceu no Funchal em 1938. Frequentou a antiga Academia de Música e Belas Artes da Madeira. Em 1968 licenciou-se em Pintura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. No entanto, a atividade profissional que seguiu então foi a rádio – o Posto Emissor do Funchal -, para a qual realizou vários programas e até teatro radiofónico. De então para cá, dedicou-se essencialmente à pedagogia e a diversas áreas culturais, tendo já disponível uma variada bibliografia. Realce para os seus livros “A Mão que Amansa os Frutos” (1991), “Estrada de um Dia Só”, “Protesto e Canto de Atena” e “Água de Mel e Manacá”, ambos de 2002, no domínio da Poesia.
Docente na Escola Básica 2º e 3º ciclos Dr. Eduardo Brazão de Castro. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Coimbra. Já lecionou Francês, Português, Animação Sociocultural e História e Geografia de Portugal. Neste momento leciona Expressão Dramática. Secretário da Direção da Companhia Contigo Teatro. Tem desenvolvido trabalhos na área da representação, encenação e formação de professores. Desenvolve um trabalho de doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra relacionado com o tema do Encontro, sob o tema genérico de Literatura e leitura na escola. Espaço(s) de Intervenção.
O direito de ler em voz alta – notas soltas
Lemos em todo o lado, constantemente: sinais de trânsito, cores, expressões faciais, receitas, bulas médicas, etc., etc., etc. Também lemos livros, contos, poemas, romances, textos dramáticos… É sempre uma experiência única pegar num livro e, no silêncio do quarto, já na cama, ou sentados no sofá, ou à beira-mar, calma e silenciosamente, ler.
Mas a prática de leitura predominante nem sempre foi assim tão silenciosa. Aliás, temos a clara perceção de que a leitura em voz alta já foi uma prática bem mais usual e de elevado alcance, não só social, como religioso e pessoal.
Assim sendo, baseado em algumas leituras, imagens e notas soltas, tentaremos lançar algumas luzes sobre alguns mitos ligados à leitura em voz alta e alguns receios que essa prática de leitura suscita.
Nasceu na Madeira a 16 de novembro de 1973, mas vive atualmente em Lisboa. Em 1990 terminou os estudos no Liceu Jaime Moniz e, em 2000, concluiu a sua formação Superior na Escola Superior de Saúde de Alcoitão. É terapeta da fala desde 2000. Faz parte, desde 2004, da bolsa de contadores de histórias da Biblioteca Municipal de Oeiras, onde orientou um projeto que originou o projeto Contabandistas, em 2006. Orientou workshops de mímica e clown.
Olhos nos Olhos
“As palavras significam mais do que o que está escrito no papel. É preciso a voz humana para dar-lhes um significado mais profundo” .Maya Angelou
A voz humana é o som mais importante do nosso ambiente acústico. Se assim não fosse, não seríamos capazes de ouvir um solista que canta no meio de uma orquestra. Estamos biologicamente preparados para atender de forma mais intensa à voz humana do que a qualquer outro som.
Quando ouvimos ler em voz alta a nossa atenção é mais direcionada e a voz parece um tapete mágico que nos leva à descoberta do texto: o ritmo e as entoações dadas pelo leitor dão sugestões para os caminhos para a compreensão do que está no papel, e o factor de identificação de quem escuta com as emoções de quem lê e do que lê faz com que as palavras ganhem nova vida para ele.
Diz o ditado que “Quem conta um conto, acrescenta um ponto”, mas também quem escuta acrescenta um ponto, o ponto em que se identifica com o conto, com o poema, com o texto, o ponto em se apodera do que ouve.
E porquê, olhos nos olhos? Porque na troca de olhares está o convite – aquele momento em que o ouvinte tem a certeza de que aquilo que ele ouve é mesmo para ele.
Sabemos que o trabalho educativo exige uma forte dose de otimismo e de utopia, e que nós, professores de Português, temos um papel importante, há quem diga determinante, na promoção da leitura dos nossos alunos.
Assim, facultamos à criança, ao adolescente, ao jovem e ao adulto, a possibilidade de adquirir o prazer da leitura, porque o nosso objetivo é contribuir para formar verdadeiros leitores, que nos mostrem, a partir da utilização de recursos pedagógicos adequados, o jubiloso leitor que construímos. E, frequentemente, assistindo ao nosso fracasso, queixamo-nos, repetindo: eles não leem, eles não sabem ler, eles não querem ler, eles não gostam de ler. Então, lembramo-nos do Sermão de Santo António aos Peixes, do Padre António Vieira: “Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar.”
Élvio Camacho nasceu no Funchal em 1975. É fundador e responsável pela Teatroteca Fernando Augusto, inaugurada em 2205 no TEF. É membro das associações TEF | Companhia de Teatro (como ator, encenador e Codirector Artístico) e Primeiros Sintomas (como ator). Recentemente integrou o elenco de Nunca-Terra, em vez de Peter Pan, uma produção e da Culturgest.
Sinopse do que talvez seja este meu
Pequeno Despacho de Pronúncia Sobre o Grão de Voz – A piacere ma non tropo
Peter Brook disse: «A voz é como uma montanha: vai a todas as cavernas que existem.» Avanço e diria que dentro de nós há todo o ecoar (que nos acanha) das grutas que habitámos, sons dos quais perdemos o contacto. Insistimos muito na articulação e projeção e dicção como as mestres do dizer (dramático!) e o resultado é quase sempre o de textos cantados, ditos (muito sentidos, clamam alguns) como se não nos habitassem, como se os estivéssemos a ler para extraterrestres. Roland Barthes já nos disse tudo em alguns dos seus ensaios e é claro no título, e espero que durante este meu pedacinho de hora de comunicação, que é também nele que me inspiro. Tudo o que é vago e enfático mata o sentido. Há muitos mitos, o do folgo, o ‘A Voz’, o do olho arregalado para fingir que escutamos, e por aí fora. Eu parto de que Pronunciar as palavras não é um deles, nem mesmo as do nosso sotaque ‘mai linde’, grão que ‘no mundo não há igual’. Apelo pois a que coloquem os ouvidos na barriga, talvez esta meia hora possa mudar as nossas vidas.
“Reflexão breve em torno de Camões e da música”
Nesta reflexão forçosamente breve em torno de Camões e da música relembrar-se-á o tempo de Camões e o Renascimento. Far-se-á depois referência , em apenas algumas das suas obras, a instrumentos musicais que Camões nomeou, aflorando a sua expressividade nos textos em que surgem. Falar-se-á ainda da Medida Velha e da Medida Nova, bem como do verso decassilábico, abordando, para além disto, a faceta de dramaturgo do autor. Por fim, surgirão referências às métricas, rimas, e uma ou outra figura fónica que Camões tivesse utilizado para, nos seus textos, de forma expressiva, interagir com a arte musical, obtendo sons e eventualmente música.
Nasceu em 1939, no Estreito de Câmara de Lobos. Victor Costa demonstrou desde cedo interesse pela música, tendo-se dedicado ao estudo deste domínio no Seminário Diocesano e, posteriormente, na Academia de Música, Línguas e Belas-Artes da Madeira, onde concluiu o curso superior de Canto.
Dizer e cantar a poesia portuguesa
A nossa língua é aquela que devemos utilizar com o respeito e dignidade que lhe devemos no dia a dia, através de uma pronúncia clara e inteligível.
Para que tais elementos se possam verificar, há que ter em conta os meios que possam contribuir para a sua concretização. Assim, é indispensável uma correta utilização da musculatura facial, bem como uma consciente diferenciação entre vogais abertas e fechadas. Uma nítida utilização das consoantes é o elemento essencial para que as palavras sejam facilmente compreendidas.
Qualquer destes elementos é susceptível de ser aperfeiçoado, através de um estudo aturado e paciente, tanto para a linguagem falada, como também e, sobretudo, para ser correctamente cantada.
Membro do Centro de Literatura Portuguesa e do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da FLUC. Nasceu em Londrina, Estado do Paraná (Brasil), em 1953 e reside em Portugal desde 1978. Licenciatura em Letras Português-Francês pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em 1977. Mestrado em Literaturas Românicas e Contemporâneas, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1986.
Nótulas sobre a produtividade da leitura em voz alta
Trazer à discussão concepções e exemplos de práticas de leitura em voz alta pode constituir motivo para uma profícua reflexão com professores e outros profissionais da voz. Dada a íntima ligação entre os domínios verbais da língua, só metodologicamente, e por razões didático-pedagógicas, separamos a abordagem da leitura e da escrita, ou a abordagem da compreensão e da expressão oral.
Por esta razão, importará considerar a leitura em voz alta como uma modalidade que potencia diversos desempenhos, entre os quais, o desenvolvimento da compreensão dos textos (orais e escritos), o gosto de ler e de oferecer aos outros uma leitura pessoal, na qual se possa aceder, ainda que apenas um pouco ao corpo da voz que fala. A reflexão apoiar-se-á em estudos teóricos e testemunhos de professores e de escritores.
Olinda Beja nasceu em S. Tomé e Príncipe, na cidade de Guadalupe. Veio para Portugal (Mangualde – Beira Alta) com quase 3 anos de idade, onde estudou e obteve o Diploma Superior dos Altos Estudos Franceses da Alliance Française e, mais tarde, a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas (Português/Francês), pela Universidade do Porto. Fez ainda o Curso de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (LALP) pela Universidade Aberta.
A arte do dizer e do contar
Pura e simplesmente teremos que começar por amar as palavras. Amá-las em toda a sua plenitude: em suas formas redondas, quadradas, estelares, ovais, amá-las em seus sons estridentes, sonoros, suaves, abafados, impercetíveis, amá-las em seus vários contextos, em suas sentenças vigorosas, arrumadas a um canto da memória ou agrupadas em frases de textos. Mas onde quer que elas se encontrem é preciso amá-las. Homero mostrou nas suas obras que as palavras são como os deuses: aquecem os combates. Saber dizer, saber contar é o combate da palavra na sua mais pura essência, na descodificação do olhar para o texto, revigorá-lo através da palavra oral e fazer com que ele siga para o auditor com todas as transições de ideias entre as frases e os parágrafos. Venho de um país onde a oralidade sempre se sobrepôs à palavra escrita. Durante séculos ela foi a nossa arma de combate. Durante séculos o contador de histórias conseguiu aliviar grilhões de escravatura e deliciar gerações de contratados. Dessa experiência, ou antes, desse cruzamento de saberes ancestrais onde a palavra oral preencheu o tempo da narração, nasceu a minha arte do dizer e do contar.